8 de julho de 2009

Os trabalhos realizados no presente semestre letivo atingiram pleno êxito graças ao empenho e dedicação dos alunos matriculados no Laboratório Entrevista - Memória do Curso de Comunicação Social da UFMG:

Aline Diniz
Catarina Flister
Filipe Motta
Leandro Eleto

Mariana Gracia
Pabline Felix
Phellipy Jácome
Vanessa Veiga
Vicente Cardoso


Também foi fundamental a participação de técnicos e estagiários, em especial:

Gilson Ferreira
Lúcio Melo
Frederico Claret

Lembramos que os trabalhos só foram possíveis graças ao incentivo e envolvimento dos professores:

Bruno Souza Leal (Coordenador do Programa de Pós-graduação)
Carlos Camargos Mendonça (Chefe do Departamento)
Elton Antunes (Coordenador do Curso de Graduação )

Nossos agradecimentos especiais para:

Professora Maria Eliza Linhares Borges (Coordenadora do Programa de História Oral da UFMG)
Jornalista Manoel Marcos Guimarães (TV Assembléia)

Finalmente, registramos nossos agradecimentos para:

Ana Salomé (Diretoria da Fafich)
Carminha Passos (Depto. de Psicologia)

Giovane Rodrigues (Almoxarifado Fafich)
Mailce Mendes (Cenex-Fafich)

Regina Oliveira (Depto. de Comunicação Social)
Valteir Gonçalves e Kelly Canesso
(Depto. de História)

Professores da disciplina:
Cláudia Graça da Fonseca
Enderson d'Assumpção Cunha

Universidade Federal de Minas Gerais
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Departamento de Comunicação Social
1º Semestre de 2009

6 de julho de 2009

Se não me falha a memória...

Sempre imaginei minha velhice como a de tantos outros. Cabelos brancos, óculo na ponta do nariz, casaquinhos de tricô e televisão na novela. Há alguns meses essa minha imagem mudou, e muito. Conhecer os fundadores do Curso de Jornalismo na UFMG foi uma revolução na minha visão do futuro: pessoas completamente lúcidas, conectadas com uma realidade – que, muitas vezes, os exclui de participação – e, sobretudo, preocupados em se manter ativos.

Ser como eles, no entanto, parece uma possibilidade distante. Hoje, minha memória já não funciona bem, mas depois de conhecer Anis Leão, José Mendonça e Adival Coelho, jornalistas desde a década de 1940, ela realmente piorou. Ando assombrada pela façanha destes mestres... Conhecer lendas é sempre um perigo quando se começa a traçar o futuro. A experiência atual causou um abalo maior por me reconhecer, na condição de estudante de Comunicação Social da UFMG, como conseqüência da pró-atividade destes homens.

Talvez esse curso não existisse sem as suas iniciativas. Talvez sim. Mesmo assim, acredito que, de uma forma ou outra, ainda seríamos afetados pela dedicação ao jornalismo e à academia que todos eles tiveram em suas carreiras.


Texto: Pabline Felix e Foto: Mariana Garcia

4 de julho de 2009

Não é só uma questão de cálculo

Se para um matemático é importante saber fazer contas, para o jornalista interessa saber fazer perguntas. E se para o primeiro, o resultado de um cálculo depende basicamente de suas habilidades, para o jornalista é fundamental sua relação com uma terceira variável: a fonte.

O Laboratório de Entrevista serviu bem como exemplo para essa constatação. Por vezes temíamos que nossa fonte, tão primária e fundamental, não fosse colaborar e fomos surpreendidos por relatos riquíssimos. Outras, esperávamos ter uma imagem mais significativa do passado através do registro das experiências de quem as viveu, e na Hora H a falta de lembrança ou o receio de compartilhar a informação inibiu nosso entrevistado.
Planejamos, testamos, experimentamos, utilizamos o melhor da aprendizagem e percebemos que não basta ter um relacionamento ótimo com a fonte, estar em um bom local de locação, ou abordar temas de amplo domínio do entrevistado para conseguir exatidão nos resultados.

No final das contas, percebemos que a nobre arte de entrevistar utiliza outras variáveis e não dispõe de fórmulas mágicas para atingir seus objetivos.


Texto: Pabline Felix e Foto: Filipe Motta

3 de julho de 2009

Quando a mão coça

É difícil estar com o microfone ou gravador nas mãos. Mas o contrário também é complicado. Acredito que uma das dificuldades do trabalho em equipe é confiar no trabalho do outro (e no nosso também). Confiança é algo construído. Foi mais ou menos esse o pensamento que tive enquanto estava fotografando, filmando ou só assistindo às entrevistas realizadas com os professores Anis, Adival, Mendonça e Marly.

A conclusão só veio depois: não ter todas as luzes e expectativas direcionadas para a gente torna muito mais fácil perceber a situação. Quando o entrevistador perde aquela deixa para engatar outra pergunta, a mão coça. Quando o entrevistado fala exatamente aquilo que a gente queria escutar, mas não explica direito e fica por isso mesmo...

Um agravante é estarmos lidando com uma memória não muito recente das pessoas. Um dos trabalhos de Hércules deveria ter sido fazer com que uma pessoa dissesse o máximo sobre um tema em um tempo recorde. Ainda mais em apenas um encontro. A dinâmica da entrevista está se mostrando cada dia mais complexa pra mim. Fato é que ela requer mais sensibilidade do que supus. E olha que já imaginava ser muita.


Texto e Foto: Mariana Garcia

2 de julho de 2009

Da inibição: a diversidade

Em uma quarta-feira de maio, vivi uma situação um pouco embaraçosa com uma entrevistada que estava longe de ser prolixa. Metade do roteiro – que eu achei que duraria pelo menos meia hora – ela matou em cinco minutos. Claro que minha limitação evidente para a televisão contribuiu demais. Sempre fui pouco desenvolto para essas coisas de câmera, público, microfone, ao vivo. Não saía pergunta nenhuma que não estivesse no roteiro e no fim das contas tivemos intervenções – bastante válidas – de quem estava por trás das câmeras. Não acho que tenha sido um problema surgir na gravação a voz inesperada dos produtores. Como não acho que tenha sido um problema gastarmos bem menos fita que o planejado. Foi um projeto em que não pretendemos parecer globais: controlar excessos, esconder a produção.

Entrevistamos, nessa primeira leva, quatro figuras importantes para a construção do curso de Comunicação Social da UFMG. Felizmente, pessoas bem distintas e com contribuições diferentes nessa história. Teria sido extremamente negativo enquadrar todas as entrevistas em um formato padrão (algo como: 40 minutos, mesmo estúdio, mesmo entrevistador). Não teríamos visto uma dupla de ex-professores construindo uma memória conjunta apoiada em suas inevitáveis digressões. Poderíamos ter perdido preciosos detalhes dos primórdios desse curso, contados por um meticuloso jornalista e ex-professor do conforto do sofá de sua casa.

De positivo, poderíamos ter nos poupado da minha fraca atuação como entrevistador. Mas talvez, em uma entrevista mais “bem feita”, ficasse menos destacado o carinho que permeou a fala da entrevistada sobre sua trajetória como aluna da primeira turma e professora do curso por muitos anos. Engessar o formato das entrevistas teria sido, tenho esse palpite bem forte, muito prejudicial. Criamos situações distintas em cada entrevista, o que resultou em depoimentos marcados pela diversidade.

Em mim, particularmente, aquele momento engomadinho de microfone na mão provocou algumas reflexões e confirmações: preciso treinar para entrevistas (e para outras situações formais de fala); gosto de televisão, mas não muito de aparecer nela; meu lugar preferido ainda são as redações.

Texto: Vicente Cardoso e Foto: Filipe Motta

1 de julho de 2009

Grandes lentes

Foi um estouro. Gilson, nosso câmera de plantão, ajustava a parafernália do estúdio quando todos tomamos um susto com uma lâmpada que se desfez de repente. Marly Spitali, a convidada do dia, ainda estava a caminho. Além do Enderson e da Coca, eu, Catarina, Pabline e Vicente, nosso entrevistador de primeira viagem, formávamos o elenco do terceiro dia de entrevistas.

A expectativa era grande. Víamos Marly como nossa “entrevistada mais-que-perfeita”: não só aluna da primeira turma de jornalismo, que se formou em 1964, ela também foi professora do curso por longa data. Também foi chefe do Departamento e coordenadora do Curso de Comunicação Social da UFMG.

Por detrás dos óculos de lentes grandes, ela nos contava com timidez o que se lembrava daqueles tempos. Engasgada com a memória ou talvez com as próprias palavras, nossa entrevistada relutava em se abrir às perguntas que fazíamos. As respostas saíram curtas, proporcionais ao tamanho da sua turma (a primeira), mas nos mostraram que desde aqueles tempos nossos colegas já eram muito politizados e envolvidos com os assuntos relacionados com o Curso.

Marly falou ainda sobre os primeiros professores, sobre a grade curricular (ou sobre a falta dela), do caráter experimental das primeiras turmas, da infra-estrutura, da participação feminina no curso e no mercado de trabalho e de outras coisas mais.

Quarenta minutos, que, se não foram bombásticos nem reveladores, nos permitiram conhecer, perceber e sentir um pouco daqueles anos tão distantes da memória da entrevistada e tão complexos para nossa imaginação.

Texto e Foto: Filipe Motta

30 de junho de 2009

Embalsamando memórias


Aprendendo a conversar e não somente a entrevistar

“Ele dorme em formol”. O comentário é engraçado e sincero e, sem meias palavras, resume a surpresa de quem teve a oportunidade de entrevistar o professor José Mendonça, um dos criadores do Curso de Jornalismo da UFMG. Aos 91 anos, seu jeito, cheio de vida e sagacidade, adicionado à exatidão de datas, dados, nomes e momentos que se revelaram durante a entrevista, mais que justificam a fala tão espontânea e que ressalta a “conservação” física, mental e intelectual do Mendonça.

A autora da frase, Aline Diniz (diretora), e seus colegas Phellipy Jácome (âncora), Leandro Eleto e Mariana Garcia (cinegrafistas) e Vanessa Veiga (fotografia e diário de bordo) estavam reunidos, naquele fim de tarde de abril, no alto do bairro Serra, na zona sul de Belo Horizonte, para realizar uma atividade do Laboratório de Entrevista - Memória do Curso. Tudo sob o olhar atento dos jornalistas e professores Cláudia Fonseca e Enderson Cunha.

Os trabalhos começaram antes: no planejamento da entrevista, na elaboração do roteiro e na marcação de data e horário com o professor Mendonça. E naquele dia, a preocupação tinha começado algumas horas antes. Dia agitado na Faculdade, com a realização da Mostra das Profissões da UFMG. No meio de milhares de estudantes que vinham conhecer os cursos de graduação da Universidade, expostos nas salas da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, a equipe da entrevista tentava se encontrar pelos corredores lotados do prédio e caminhava com câmeras, microfones, refletores e cabos e mais cabos.

Às 15h40, um pequeno comboio saía em direção à casa do entrevistado. Após enfrentar a eterna obra da Avenida Antônio Carlos, cortar o tumultuado centro da cidade e percorrer algumas ruas da Serra, finalmente aquele apreensivo grupo se deparava com um casal simpático e atencioso: José Mendonça e sua esposa Maria Tereza.

Logo começou o trabalho. Um mexe-mexe frenético: móveis arrastados, microfone na lapela, cabos conectados, câmeras posicionadas, iluminação acertada e tudo testado. Às 16 horas e 40 minutos as câmeras começaram o trabalho de registrar palavras do passado e imagens do presente.

A conversa começou com o processo de criação do curso, passou pelo perfil dos primeiros alunos e caminhou revelando os detalhes dessa preciosa história. E a palavra que melhor definiu a entrevista foi exatamente a usada no início desse parágrafo: conversa. Durante toda a entrevista o clima foi de seriedade e organização, mas sem perder o aconchego, o interesse e o prazer em escutar uma boa história contada por um bom velhinho.

Não houve uma pergunta que o professor Mendonça não soubesse responder. A boa memória permitia-lhe respostas seguras. A sensação era de que a resposta estava sempre na ponta da língua. E talvez estivesse, afinal, não foram poucas as vezes que ele contou a história da fundação do curso de jornalismo da UFMG.

E assim a entrevista (ou a conversa) se fez. Grande parte na frente das câmeras, outra, menor, ao redor de uma mesa, saboreando o café da anfitriã Maria Tereza. Ao longo de duas horas, alguns verbos foram conjugados no passado, presente e futuro. Os principais: entrevistar, conversar, aprender e ensinar.

Texto e Foto:
Vanessa Veiga